Palavra e o CantoTodas canções têm algo de sonho, revivem o mistério do canto.
Tudo o que conta não tem sentido quando falecem os signos. Palavra é mais que mistério: som dos neurônios batucando na mesa. O imprevisto e o impossível desenham a clave de sol.
Tudo o que me consome é esse mistério intraduzível de ser, a duras penas, a voz do espontâneo,
o despido improviso.
Todo cantor que se preza traz nos lábios um pentagrama. Na sua garganta nasce o pentagrama, o reino das claves, morada da palavra em seu vestido de festa.
nada me sabe a núsica. Sua harmonia, o tempo certo, o ritmo na pauta. Porque o desenho de meu rastro - a garatuja da palavra - é um cinzel roto de destinos.
Enfim, todo o cantor é mudo, quando o intérprete é somente a voz.
- Joaquim Moncks -
Do livro "O Ovo de Colombo", 1999: 2003
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