Em liberdade te vi partir. Como ensaiavas o voo. O
experimentar das asas de novo emplumadas, abertas
para o infinito desejado. Assim, como quem nunca
esperou senão por esse momento de felicidade.
Reverberava no teu olhar o brilho de lágrimas
incontidas, diferentes doutras já então choradas. Eram
agora luminosas de azul, desse azul do céu que te vi
alcançar livre. Nas grades ficavam penas doutras vida
que, nas alturas alcançadas, fazias por esquecer. Agora
resta-me a saudade por te ver ausente ganhando-te esta
mágoa sentida de te não ter aqui e, na solidão das celas
e da memória, aprender a soletrar a palavra
liberdade.

- Ribeiro Lourinho-

(No Livro: Marés de Ternura, Edição: A Mar Arte)
Transcrição autorizada pelo Autor
Portugal




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