É ao cair da noite que a dor mais dói.
No peito, a saudade corrói, na evocação da memória
de tempos em que as flores atapetavam a existência
e os rios corriam nas veias. É da inocência a
recordação maior. Quando os meus braços te
tinham suave e bebia a ternura da fonte do teu
olhar. Dos teus braços e abraços a dor de não os
ter ainda acalentando promessas de poesia
eterna (pelo menos tão duradoura quanto a vida
por viver). No entanto o sol vai partindo e a
saudade da luz do teu sorriso e do calor de cada
beijo vão retardando o gelo que a noite
inexorável vai fazendo penetrar no coração. Em
breve, apesar de tudo, cairá o breu. E quando a
noite for cova fechada sobre o rosto viverei
ainda nos meus versos, amando-te com a ternura
dum amor para sempre.

- Ribeiro Lourinho-

(No Livro: Marés de Ternura,Edição: A Mar Arte)
Transcrição autorizada pelo Autor
Portugal



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