Não sei se ao teu corpo ou ao mar, posso atribuir a origem da minha exaltação. Nessas vastidões mergulho e o meu corpo se desprende livre na expectativa da posse. Nenhum grito arrisca o corte
do silêncio. Apenas o incessante rumorejo das águas testemunha o brilho do olhar aberto ao infinito. É como se fosse o começo dos tempos,
contigo aí no dorso das vagas, nua, molhada e pura arrastando pelas ondas dos cabelos infindáveis marés de ternura.
- Ribeiro Lourinho-
(No Livro: Marés de Ternura,Edição: A Mar Arte)
Transcrição autorizada pelo Autor Portugal