Passos trôpegos de esperanças e mitos
fazem da musa cantares rotos, vagos,
esperas em cada esquina,
como tudo aquilo que foge.
E os olhos tímidos constroem o absurdo
de te tornar miragem.
Afinal, por poeta, o que governa
é o fascínio pela mulher.
Sei que vivo esta possessão por e para ela,
a única e permanente sedução.
Ficar à espera, haurindo o mistério da beleza.
Necessito envenenar-me de canto e gozo.
Assim a vida resiste,
de alumbramento em alumbramento.
- Joaquim Moncks -
Do livro O Ovo de Colombo,
1999/2005