 Bússola
Preciosa, se eu te dissesse dos passos perdidos, se te falasse que o canto é o pranto calado, suplício de temores entre a luz e a música, tudo seria falso.
Ó musa amada, acaso sabes que estás luzindo na sórdida noite de estrelas nuas barco desgovernado em alto mar amarras frouxas no cicio do vento e sempre o derradeiro nauta de Eros deslizando antigas rotas de busca?
Acaso o vento burlasse olhos e ouvidos, diria, por certo, que o amor é sol sobre mortiços eixos; troças e avarias, e o timoneiro é um pato selvagem entre sargaços, sereias, olores de sal e morte.
Mesmo no caminho haja tropeços, ânsias, alegrias, sementes no corpo se alçam. Somente por te saberem aqui, bússola, vívido sopro de rumos e esperanças.
- Joaquim Moncks -
Do livro O Ovo de Colombo, 1999/2005
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