Fada-Madrinha
A fonte do poema nunca é a alegria.
Esta é a própria poesia personificada,
a fada-madrinha viva, resoluta, saltitante:
o olho além da órbita, dentes além da boca.

Afinal, recados pro coração são sempre lágrimas
entre o confrangimento e o sorriso encabulado.

Poemas são, apenas, olhos do coração,
e ambos são chorões por sua própria natureza.
O sangue, líquido e escondidinho,
navega por caminhos impensáveis.
Passeia no compasso dos afetos.

Em ti e contigo, amadinha,
existe uma confidência
a que não estou acostumado: sei que falas a voz profunda
dos aflitos, mas não a dos sem-Deus,
e estes são pequenos,
perderam-se faz muito tempo...

- Joaquim Moncks -

Do livro O Ovo de Colombo,
1999/2005



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Joaquim Moncks

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