

A paz é um enorme vulcão, Que me implode ao ir, no além de mim, Levando os ódios todos pelo rumo afora A caminhar silente no infinitivo deserto Que se desponta na áspera incerteza do todo!
A paz condena em si, existências de segmentos Que de tão certos e providenciais que são, E de tão densamente humanos que são,
Tornam-se intraduzíveis em palavras
Para poder descrever-lhes na pureza Das belezas, singelidades, E plasticidade poética No além do emocional. Enfim, esse vulcão vibracional, É pura concordância especial! Homogênea a um doce e intenso Momento de expressivo amor uno ao todo.
Onde este todo é a incansável busca Do ir ao encontro da pureza Existente no Afflatus De Deus!
E neste inspiracional emotivo, intuitivo, Julguei que em paz, estivesse... Quando para minhas mãos olhei, Vi que estavam elas, guarnecidas Com um par de luvas; e feridas Vivas, no meu peito senti! Pensei:
"Se em paz estou, esta paz entristece A natureza morta, que em mim sobrevive."
Pois o couro que me embeleza, me guarnece, É pele igual a de muitas outras vidas Que em abatedouros, tanto perecem...
- Odenir Ferro -
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