Cumpro minha sina de viver
ansioso por caminhos,
novas sendas para
a condenação de estar vivo.

Construo-me na busca de razões
para continuar sendo útil,
semeando idéias, desafios.

Sei do ofício de cantor do Belo,
mas choro o social,
porque o Real é o meu ninho.

A caneta é sempre espada
sobre o pensamento
e o dia seguinte urde suas trampas.

A impotência de relatar alegrias
rasteja, tristonha,
pois o que fica lavrado,
como um arado eterno,
é a palavra.

E esta me crucifica.

- Joaquim Moncks -

Do livro "O Ovo de Colombo",
1999/2004.



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Joaquim Moncks

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