 Cantai, cantai! O tempo é austero, cantai! Porque o viver é mudo: esvai-se o tempo e a vida é um sórdido acontecer. Somos tão duros aos quatro ventos e ainda temos todos a ilusão do amar.
Enquanto choram o Bem e o Mal, a solidão é o canto sórdido, similar. Assim, somos apenas o espelho triste, o sórdido entre o poema e a maçã pecadora. Rouco canto até a morte nos roubar de todo.
Violões, nos seus acordes, são unhas de aço. Seresteiros aturdem o meu coração pequeno. Nos gonzos da saudade, nada mais de seus arautos. Surdos, sacrílegos aos ventos de te ver, ó Vida, passando, passando, entre o canto e o vinho.
A emoção é roda de fogo, centelhas cintilantes de adeuses, choro de culpas e mágoas. O amar de violões são loas, madrigais. Nada mais nos sabe a vida, e é sempre claro o amanhecer dos amores.
- Joaquim Moncks -
Do livro "O Ovo de Colombo", 1999: 2003
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