Domingo acordei cedo e ao botar os olhos na rua percebi o quanto o dia já estava lindo, daqueles de pôr-nos de pé e olhá-lo sem óculos escuros.

Pelas janelas e portas, botei ele para dentro. Abri uma gaveta, encontrei uma linda toalha que havia ganho há tempo. Estava ainda com a etiqueta. Perguntei-me: Por que será que a estou guardando ? Será para uma ocasião especial, quando receber um amigo ou uma visita ?

E, me dei conta, será que terei um dia mais lindo e mais importante que este ? Mais importante que o "hoje"? Se chegar alguém, qe chegue, não quero ninguém, o dia já é o obastante para vestir minha casa. Quero pessoas simples tal como a gota de sereno que vejo na pitangueira. Que tenham sensibilidade para olhar este dia e as flores da laranjeira.

Ao correr das horas, fui aos poucos pensando: Como nós guardamos coisas, quinquilharias, economizamos dinheiro, deixamos de sair, de fazer um montão de coisas pensando no dia seguinte. Quantos tabus, quantos rótulos - carimbos. É um copo de cristal, é um prato de porcelana, é o peru no natal, é o churrasquinho no aniversário ... Chega de coisas guardadas, de vida programada.

Chega de alegria com data marcada !

Quantas vezes, quantas coisas ficam nos remoendo dias e dias, pensamentos negativos contra alguém e nos falta coragem de pedir desculpa - perdão !

Outras tantas, não dizemos palavras de carinho: "obrigado, por favor", não valorizamos, parece que saiu de moda o amor.

Chega de neuras, stress, idéias vazias, tempo jogado fora. A vida tem que ser saboreada, amada, vivida, sem demora.

O dia me serviu de conselho.

Eu, hoje, vou me olhar no fundo do espelho, ensaiar um sorriso com a boca escancarada, pois não me falta mais nada. O tempo não espera, vou sair para rua com ares de domingo, afinal, estou vivo. É primavera !

" O amor não pode ter etiquetas,
Nem tão pouco ser guardado
No fundo de uma gaveta ".


- Édison Silva -

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