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 Tenho frequentado a vida, tentando perder o medo de perder, ultimamente. Estou graficada pela assiduidade com que tenho comparecido às aulas.
Medo de perder é denominador comum quando se trata de seres humanos. Assunto de domínio público e, também, de certo desconforto unânime.
Existe é claro, o reverso da medalha ... o medo de ganhar. Pois é sobre esse medo que desejo escrever um pouco, aqui e agora.
O medo de ganhar paralisa, em nós, todo e qualquer gesto ou palavra. A imobilidade estática frente ao novo, a chance de acertar, de conseguir o que sempre se buscou.
Reagimos ao possível sucesso que se nos apresenta, da mesma forma com que o fazemos no que se relaciona às graças de Deus. Desacreditamos que somos merecedores. Pensamos se tratar de uma alusão ao provérbio: "Quando a esmola é demais, o santo desconfia ..." E, desconfiados, não movemos uma palha para tocar nos tesouros que aparecem em nossas vidas.
Escapamos do "dar certo" como meninos travessos, que se escondem, depois da vidraça quebrada.
Quando fugimos, o que se quebra dentro de nós é mais do que vidro. Estilhaçamos a oportunidade, negando-a. Batemos com a porta na cara do que é bom.
Conheço muita gente que tem medo de ganhar. Não sabem o que fazer com o acerto, com a conquista de um sonho. Como é possível lidar com a ventura, a alegria, o prazer contínuos ?
Preferível ficar no ostracismo do sempre igual. Daquilo que, se não faz feliz, também, não ameaça.
Já vi o pânico de vencer nos olhos de muitos. E os vi recuar como se estivessem à beira de um abismo e não, diante da grande oportunidade de suas vidas.
Li num livro, o Diário de um mago, uma frase que reafirma o que penso: ... "Não adianta ir em busca de tua espada, se não souberes o que fazer com ela, quando a encontrares."
No fundo, todos nós tememos a vitória porque não sabemos como lidar com a realização das nossas buscas. É mais fácil e requer menos coragem, se acomodar ao fracasso.
Eu, que não perdi a valentia, persisto, insistentemente, em buscar a minha estrela e, mesmo com as mãos esfoladas, continuo a escalar a montanha em direção ao alto.
Sei o que farei quando encontrar a chance de tocar na felicidade, sem medo de ganhar o que busquei. E, por falar nisso, basta ver o brilho nos meus olhos para constatar que alcancei a conquista da minha espada e que sei,
exatamente, o que fazer com ela.
Afinal, se eu quiser aspirar o perfume da rosa, preciso colhê-la sem medo de me arranhar nos espinhos. Corro o risco de sangrar mas, também, alcanço o privilégio de sentir.
Sem riscos pouco se justifica. Riscos de perder e riscos de ganhar ... Prefiro os dois !
~ Maria Alice Estrella ~
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